REDUÇÃO DE VIÉSES NA REPRESENTAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DIGITAL: LIÇÕES DO PROJETO DE-BIAS

Autores/as

  • Laís Barbudo Carrasco Mid Sweden University (MIUN), Sundsvall, Västernorrland. Autor
  • Silvana Aparecida Borsetti Gregorio Vidotti Universidade Estadual Paulista (UNESP); Instituto Brasileiro de Inf Autor
  • Emanuelle Torino Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) Autor

Resumen

A representação digital do patrimônio cultural desempenha papel central na construção da memória coletiva e na afirmação de identidades sociais. No entanto, os metadados e práticas descritivas adotadas por instituições de memória muitas vezes reproduzem preconceitos históricos e marginalizam comunidades. Este estudo realiza uma analise critica do projeto europeu DE-BIAS, voltado à identificação, contextualização e mitigação de linguagem enviesada em acervos digitais. O objetivo é avaliar as estratégias propostas pelo projeto e discutir suas contribuições para práticas descritivas mais éticas e inclusivas no campo do patrimônio cultural digital. A pesquisa baseia-se na análise documental da documentação técnica produzida no âmbito do projeto, com ênfase em três eixos metodológicos: o vocabulário controlado multilingue com termos potencialmente danosos; a ferramenta automatizada de detecção de viés, baseada em inteligência artificial; e a metodologia de engajamento comunitário pautada na escuta ativa e coautoria descritiva. Defende-se que a representação ética no ambiente digital requer práticas participativas e reflexão institucional contínua sobre os vieses presentes nas descrições de patrimônios culturais. Os resultados indicam que a articulação entre soluções tecnológicas e participação social pode promover uma curadoria mais sensível à diversidade cultural, desde que acompanhada de políticas institucionais de formação, sustentabilidade e transparência. Conclui-se que os objetivos do estudo foram atingidos, ao evidenciar que a descrição patrimonial não é neutra, mas profundamente marcada por disputas simbólicas, exigindo compromisso ético com a representatividade e a justiça epistêmica em ambientes digitais.

Biografía del autor/a

  • Laís Barbudo Carrasco, Mid Sweden University (MIUN), Sundsvall, Västernorrland.
    Doutora em Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Marília, São Paulo, Brasil. Docente do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação e Arquivologia, Mid Sweden University (MIUN), Sundsvall, Västernorrland, Suécia.
  • Silvana Aparecida Borsetti Gregorio Vidotti, Universidade Estadual Paulista (UNESP); Instituto Brasileiro de Inf
    Doutora em Educação - área de concentração Educação Brasileira - pela Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP. Docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Unesp. Coordenadora da Coordenação de Tecnologias Aplicadas (COTEA) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Pesquisadora da área de Ciência da Informação, com ênfases em Tecnologias de Informação e Comunicação e em Arquitetura da Informação digital, Arquitetura de Dados, Ecologias informacionais complexas, Ecologias de dados complexas, Encontrabilidade da Informação, Acessibilidade, Usabilidade, Experiência de Usuário, Princípios FAIR, Princípios CARE - Povos Indigenas.
  • Emanuelle Torino, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
    Doutora em Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Marília, São Paulo, Brasil. Bibliotecária da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Curitiba, Paraná, Brasil. Coordenadora da Coordenação de Serviços Bibliográficos (COBIB), Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Publicado

2026-03-05